sexta-feira, 8 de novembro de 2019

SANTA CRUZ: Casos de dengue aumentam e focos do mosquito transmissor em reservatórios de água preocupam

Febre alta e dificuldade de locomoção. A dor da chikungunya espalhada pelo corpo foi tamanha a ponto de deixar o servidor público José Cristiano, de 40 anos, parado por dias em casa, sem trabalhar. O simples movimento de levantar da cama se tornou um suplício: 

 “Eram muitas dores, principalmente quando acordava. Quando tentava levantar, botar os pés no chão, doía muito – parecia que estava pisando em pregos.” 

O morador do centro de Santa Cruz do Capibaribe contraiu chikungunya em 2017, quando o município apresentou risco de infestação do Aedes aegypti, transmissor dessa e de outras duas doenças que podem matar – dengue e zika. 

O tempo passou e a situação do município continua a preocupar autoridades de saúde locais: o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) de 2019 indica alto índice de infestação, com risco de surto das três enfermidades. O cenário é o mesmo nas vizinhas Brejo da Madre de Deus e Surubim. 

A Secretaria Municipal de Santa Cruz do Capibaribe notificou, de janeiro a setembro, 1.033 casos de dengue e 155 de chikungunya. São 301 casos a mais em comparação ao passado. Nenhuma notificação de zika foi registrada até o momento. A secretaria investiga ainda duas mortes, que podem ter sido causadas pelo vírus da dengue. 

O armazenamento incorreto e falta de limpeza dos reservatórios de água – lugares ideais para a proliferação do mosquito – são os principais fatores que levaram ao aumento de casos, segundo a diretora de Vigilância e Saúde de Santa Cruz do Capibaribe, Mara Saraiva. 

Parte do município recebe água de caminhões-pipa – apenas São Cristóvão, São Miguel, Bela Vista, Centro e Bairro Novo são abastecidos via rede da Compesa. E isso leva à população a estocar água. Para Mara Saraiva, a situação requer maior cuidado com limpeza de baldes e caixas d’água.

 “A população também deve cuidar [lavar e tampar] dos depósitos de água. Tentar cobrir o máximo possível para evitar que o mosquito deposite os ‘ovinhos’ que, depois, vão virar larvas. Então, temos que ajudar um ao outro. [Nas visitas às casas] Os nossos agentes sempre pedem isso aí: uma parceria.”

Para frear o aumento de casos das doenças transmitidas pelo Aedes, a secretaria vai investir na capacitação e reciclagem de agentes epidemiológicos e ambientais, em outubro. A expectativa é de um aumento no número de visitas nos bairros.

Enquanto isso, a recomendação da diretora de Vigilância e Saúde é a mesma: 

 “Antes de chegar o carro (pipa) novo, deve-se lavar os reservatórios com escova. Pedimos para lavar com cloro – que é mais concentrado – e retirar as impurezas.”

Aqui vão algumas recomendações do Ministério da Saúde para a limpeza dos reservatórios de água. É importante mantê-los tampados. A limpeza deve ser periódica, com água, bucha e sabão. Ao acabar a água do reservatório, é necessário fazer uma nova lavagem nos recipientes e guardá-los de cabeça para baixo. Segundo o ministério, esse cuidado é essencial porque os ovos do mosquito podem viver mais de um ano no ambiente seco.
Você combateu o mosquito hoje? A mudança começa dentro de casa. Proteja a sua família. Para mais informações, acesse saude.gov.br/combateaedes.



Fonte: Agência do Rádio

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