quarta-feira, 2 de agosto de 2017

"Vou me encontrar com ele no céu", diz mãe de menino que morreu em desabamento

Foto: Reprodução

"Vou me encontrar com ele no céu. Ele é um anjo". Esta é a declaração de Renata Michelli Ivo da Cunha Mendonça, de 25 anos, que perdeu seu filho no último dia 25 de julho. Mateus Gilberto Ivo do Nascimento, de 8 anos, foi vítima do desabamento de um imóvel em Maranguape II, Paulista, no Grande Recife. Além de perder o filho, Renata sofreu uma grave lesão e teve sua perna direita amputada.

A família se encontrava no primeiro andar do imóvel quando a laje cedeu. Os Bombeiros realizaram a retirada das vítimas, e durante o socorro, Mateus teve uma parada cardíaca mas foi reanimado e levado para o Hospital Miguel Arraes com vida, mas não resistiu. No local funcionava uma padaria e era a residência deles. Além de Mateus e Renata, Emerson Mendonça da Silva, 19 anos, padrasto da criança, sofreu escoriações pelo corpo e recebeu atendimento pelos Bombeiros, sendo encaminhado para a UPA de Olinda, onde foi realizada uma sutura.

A mulher já estava internada no hospital quando soube da morte da criança. "Eu vi ele sair de lá desmaiado. Não imaginava que ele não ia sobreviver. Ele ainda falou comigo antes então achei que iriam trazer ele à vida novamente", disse.

Renata falou sobre como recomeçar depois da perda. "Sonho ainda com meu salão de beleza. Fazer uma empresa mesmo e a gente sabe que vai conseguir isso tudo novamente.

Mateus foi enterrado, no dia 26 e julho, no Cemitério de Paulista. No velório, parentes e amigos da escola se despediram do garoto com orações e cânticos religiosos. O pai de Matheus, bastante emocionado, ficou o tempo todo apoiado por familiares.

O DESABAMENTO EM PAULISTA


Foto: Leo Metto/JC Imagem

Após o desabamento, o Corpo de Bombeiros foi acionado e seis viaturas foram enviadas para o socorro. A mulher e a criança precisaram de atendimento especial e foram levadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para o Hospital Miguel Arraes. A área foi isolada e técnicos da Defesa Civil fizeram uma vistoria.

Vizinhos contaram que a estrutura do imóvel era frágil e balançava bastante. A família morava no local há pouco tempo, cerca de 30 dias. O homem e a mulher tinham se casado recentemente e fizeram uma festa na frente do imóvel para comemorar o matrimônio. De acordo com engenheiros do Crea, a residência foi construída de forma irregular.

CONSTRUÇÃO IRREGULAR



De acordo com a Defesa Civil, o imóvel era clandestino e não tinha autorização para ser do porte que era. "Na medida que ele ampliou e fez outras construções, o imóvel passou a ser clandestino. Não tinha autorização para isso", contou Manoel Alencar. De acordo com ele, o Habite-se, documento emitido pelo município para ocupação de um imóvel, dava apenas autorização para a construção de um galpão comercial no local. Mas o dono, identificado como Jairo Dantas, teria construído o primeiro andar e os anexos sem autorização.

O local onde o menino morava com a mãe e o padrasto foi demolido por haver novos riscos de desabamento. Uma casa de primeiro andar, que fica no mesmo terreno do imóvel, foi interditada. A moradora teve que tirar os móveis antes das máquinas começarem a trabalhar.

A estrutura da padaria apresentava ferragens incompatíveis para o tamanho da construção. A falta de manutenção do prédio também agravou ainda mais a situação, de acordo com membros do Conselho de Engenharia e Agronomia de Pernambuco. A queda do gesso da padaria na semana passada já era indícios de que a laje tinha envergado.

De acordo com o Crea, problemas como esse acontecem porque a obra não teve a supervisão de um engenheiro. "O principal problema começa com o não acompanhamento técnico. Não existiu a presença de um profissional habilitado. Se esse (problema) não for resolvido, os demais acontecem", contou o Marcílio Leão, gerente de fiscalização do Crea-PE.


Fonte: Rádio Jornal Recife

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